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domingo, 12 de maio de 2019

Herbert Marcuse


Herbert Marcuse (1898-1979) desenvolveu uma obra marcada significativamente pelas teorias freudiana e marxista. Em "Eros e Civilização", retomou o tema desenvolvido por Freud da necessidade de repressão dos instintos para a manutenção e o desenvolvimento da civilização. De acordo com Freud , a história social do ser humano é a história de sua repressão, do combate ao livre prazer em prol do trabalho, do adiamento do princípio do prazer para atender ao princípio da realidade. Sem essa renúncia , a vida social seria impossível. Marcuse dá razão ao diagnóstico de Freud , porém discorda do fundador da psicanálise em apresentar essa situação como algo eterno , ou seja, que é impossível uma civilização não repressiva.  Para Marcuse, as imposições repressivas são antes produtos de uma organização histórico-social específica do que uma necessidade natural e eterna das sociedades.  O filósofo apontou a possibilidade de uma civilização menos repressiva , surgida do próprio desenvolvimento tecnológico , que criaria condições para a libertação quanto à obrigação do trabalho e o consequente aumento do tempo livre. No entanto, isso não se dará, segundo Marcuse , sem a intervenção do ser humano para reorientar o rumo da trajetória histórica possibilitada por esse desenvolvimento. Nesse ponto , a tarefa da filosofia seria anunciar essa possibilidade. Se isso não ocorrer , teremos o contrário , ou seja , a perpetuação do desenvolvimento tecnocientífico a serviço da dominação e da homogeneização dos indivíduos. Tal situação criaria o que o próprio Marcuse chamou de homem unidimensional , incapaz de criticar a opressão e construir alternativas futuras.

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