A filosofia cartesiana , principalmente a tese da existência de ideias inatas , provocou forte reação de vários pensadores. Estes passaram a defender a tese oposta , isto é , de que o processo de conhecimento depende sempre da experiência e dos sentido , pelo menos como ponto de partida , em sua origem última. Assim surgiram diversas doutrinas modernas empiricistas (recorde que essa palavra vem do grego "empeiria" , que significa "experiência"). Entre os principais defensores de gnosiologias empiricistas encontram-se Aristóteles , na Antiguidade, e Santo Tomás de Aquino, na Idade Média , além dos pensadores que estudaremos em breve. O palco inicial do empiricismo moderno foi a Inglaterra . Nesse país , grande parte da burguesia , a partir do século XVII , conquistou não apenas poder econômico , mas também poder político e ideológico , impondo o fim do absolutismo monárquico , durante a Revolução Gloriosa. ¤ Revolução Gloriosa- revolução burguesa que instituiu o parlamentarismo na Inglaterra , estabelecendo a superioridade das leis sobre as vontades dos reis e acabando com o absolutismo.
Alguns estudiosos relacionam essa ascensão da burguesia, no plano epistemológico, ao empirismo (valorização da experiência concreta , da investigação natural) e , no plano sociopolítico , ao liberalismo (respeito à liberdade individual ; fim do arbítrio dos monarcas , impondo-se limites constitucionais aos seus poderes). Entre os principais representantes do empirismo britânico destacam-se Francis Bacon (que já estudamos no capítulo anterior), Thomas Hobbes, John Locke , George Berkeley e David Hume.
