Além da Raul Brandão, um dos raros escritores de prosa simbolista , na verdade prosa poética , Eugênio De Castro , Antônio Nobre e Camilo Pessanha constituem os poetas mais expressivos desse estilo em Portugal . Eugênio de Castro , um esteta mais neoclássico e parnasiano que simbolista, notabilizou-se principalmente com Oaristos , obra que inicia oficialmente o movimento em Portugal, sem, no entanto , constituir trabalho expressivo , do ponto de vista da estética simbolista propriamente dita. Antônio Nobre , que escreveu Só (1892) , aproxima-se do Simbolismo principalmente por suas características neo-românticas : o solipsismo (tendência à solidão irreversível , doentia e narcisista) , o tédio , a melancolia , o saudosismo , o nacionalismo e a postura ambígua perante a morte , pela qual sente simultaneamente atração e repulsa. Poeta precursor da poesia moderna , até os nossos dias é um dos mais lidos e estimados criadores do Simbolismo português. Autor de apenas um livro , Clepsidra (1922) , Camilo Pessanha exerceu grande influência , particularmente na geração Orpheu, que iniciou o Modernismo em Portugal. Considerado um poeta de leitura pouco acessível para o grande público , um criador que inspirou outros criadores , passou grande parte da vida em Macau (China) , onde conheceu o ópio e conviveu com a poesia chinesa , de que foi tradutor para o Português. Os poemas de Camilo Pessanha caracterizam-se por um forte poder de sugestão e ritmo , apresentando imagens estranhas , insólitas , não lineares. Neles predomina o tema do estranhamento entre o eu e o corpo ; o eu e a existência e o mundo, cujos elementos mais familiares tornam-se esquivos , perante uma sensibilidade poética fina e sutil , mas sem o derramamento emocional , a subjetividade egocêntrica do Romantismo. Dotado de rigor estilístico e consciência crítica , o porta combina verbal com a constante presença de imagens e de musicalidade , ambas predominante melancólicas.
