Para uma segura identificação das cobras é necessária a observação da dentição. As peçonhentas apresentam grandes presas na região anterior do maxilar e podem ser do tipo proteróglifas (protero = anterior + glifo = presa) (coral) , com um sulco nas presas , e solenóglifas (solen= tubo , canal + glifo = presa ) (cascavel) , com um canal fechado nas presas , por onde escorre o veneno. As não-peçonhentas podem ser opistóglifas (opisto=posterior + glifo = presa) (falsas corais) , com grandes presas na região posterior do maxilar , e áglifas ( a = sem + glifo = presa ), sem presas inoculadoras , com todos os dentes iguais , caso das sucuris , jiboias e cobras-d'água. Das solenóglifas, podemos citar o grupo dos crotalídeos , que além das cascavéis reúne jararacas , jararacuçus , urutus , cotiaras, caiçacas e a maior delas , a temível surucucu , de até 3,5 m de comprimento , muito agressiva , que vive na mata fechada. Atrás das presas inoculadoras ficam outros pares, menores, que podem substituí-las em caso de perda. Nem sempre é possível observar a dentição das cobras que causam os acidentes , até porque , com frequência , elas fogem. No entanto, há inúmeras outras características - comportamento, hábitos e anatomia - que nos permitem a diferenciação entre peçonhentas e não-peçonhentas . No grupo das corais , a identificação deve ser feita por especialistas. Há, ainda , cobras não-peçonhentas de comportamento agressivo , que dão botes e mordem, causando ferimentos , como a boipeva e a caninana.
