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domingo, 18 de março de 2018

As Formas de Resistência do Escravo Africano


  Apesar de todas as condições desfavoráveis e dos discursos legitimadores da escravidão, os negros cativos não deixaram de apresentar formas de resistência à sua situação: promoviam sabotagens no processo de produção do açúcar, organizaram fugas coletivas ou individuais; assassinavam senhores e feitores; suicidavam-se e geravam revoltas nas plantations e povoações. Além disso, muitos sentiam o banzo , uma atitude apática , de recolhimento, que os tornavam ineficazes para os trabalhos requeridos. Deprimidos , muitos definhavam até a morte. Outra forma de resistência foi a preservação das crenças e ritos africanos, apesar da condenação e vigilância do clero colonial. Não havia, entre os negros trazidos para a América a partir do século XVI, uma mesma religião ou ritual. Em comum, havia o culto aos antepassados, responsáveis pela proteção do grupo tribal.  Com o deslocamento e dispersão das várias tribos, eles voltaram-se para divindades mais concretas, ligadas às forças mágicas da natureza. Essas divindades, a partir de um processo de composição da herança africana com as concepções religiosas de brancos e índios instalados na Colônia, eram cultuados em rituais e festas, ao som de atabaques e outros instrumentos de percussão. Mas foram os quilombos a marca mais característica da resistência dos escravos negros à sua condição. Após fugirem em grupos, estes organizavam pequenos acampamentos em áreas despovoadas e de difícil acesso, que podiam abrigar desde um pequeno bando de fugitivos , que promoviam assaltos a viajantes e povoações, até milhares de habitantes. Para os grandes quilombos , dirigiam-se não só negros como também índios, criminosos e outros grupos marginalizados da sociedade colonial. Ali se plantavam gêneros de subsistência e se fazia criação. Muitas vezes, o vigor econômico dos quilombos era tal que chegavam a estabelecer relações comerciais com os povoados próximos, dos quais adquiriam armas, munição, ferramentas e outros produtos necessários à comunidade. A organização social dos quilombos era estabelecida a partir de uma pequena elite de guerreiros, líderes da comunidade que promoviam sua defesa e os ataques armados às povoações portuguesas. Não era incomum a manutenção de relações de escravidão doméstica em seu interior , de forma semelhante àquela existente entre as tribos africanas. Podendo neles reproduzir suas heranças culturais africanas, os negros conseguiam construir seus efêmeros paraísos sobre as terras do Novo Mundo.

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