Como a Coroa portuguesa não fazia registros oficiais , não existem dados de quantos escravos negros ingressaram no Brasil , quais os anos de maior fluxo por qual porto entraram e de que lugar da África vieram. Segundo estimativas , como a encontrada no livro "Brasil : 500 anos de povoamento" , ingressaram no país pelo menos quatro milhões de negros de 1550 a 1850, a maioria de Angola , Ilha de São Tomé e Costa do Marfim. Entre as correntes imigratórias especificadas , a mais importante foi a portuguesa , que se iniciou efetivamente em 1530 esse estendeu até os anos 1980. Além de serem numericamente mais significativos, os imigrantes portugueses espalharam-se pelo território nacional. A partir de 1986 , entretanto, começou a haver uma inversão de fluxo , explicada pelo ingresso de Portugal na União Europeia (UE). A melhora das condições de vida nesse país e as oportunidades de trabalho atraíram emigrantes brasileiros. Preocupados com esse fato, os demais membros da UE pressionaram PORTUGAL a dificultar a entrada de brasileiros no país. Como há livre trânsito de pessoas da UE, muitos usavam o país ibérico apenas como porta de entrada para outros países membros. A segunda maior corrente de imigrantes livres foi a italiana ; a terceira , a espanhola ; e a quarta , a alemã. A partir de 1850 , a expansão dos cafezais pelo Sudeste e a necessidade de efetiva colonização da região Sul levaram o governo brasileiro a criar medidas de incentivo à vinda de imigrantes europeus para substituir a mão de obra escrava. Entre as principais medidas adotadas e divulgadas na Europa , incluíam-se o financiamento da passagem e a garantir de emprego, com moradia , alimentação e pagamento anual de salários. Embora atraente , a propaganda governamental se revelou enganosa , escondia uma realidade perversa : a escravidão por dívida. O imigrante , ao fim de um período de trabalho duro nas lavouras de café , quando deveria receber seu pagamento, era informado de que seu salário não for suficiente para pagar moradia e alimentos consumidos ao longo do ano. Muitas vezes o salário sequer dava para pagar as despesas de transporte - que , segundo o governo, seria gratuito . A saída do imigrante da fazenda somente seria permitida quando a dívida fosse quitada. Como não tinha condições de pagar o que devia, ele ficava aprisionado no latifúndio , vigiado por capangas. Na práticas , tratava-se de uma escravidão por dívida , comum até hoje em vários estados do Brasil, especialmente na Amazônia . Essa realidade levou a Alemanha , em 1859, e a Itália, em 1902, a proibirem os incentivos à imigração para o Brasil , ou seja , cada cidadãos alemães ou italiano que quisesse emigrar para este país teria que viajar com recursos próprios . Além dos cafeais da região Sudeste , outra grande área de atração de imigrantes europeus, com destaque para portugueses, italianos e alemães, foi o Sul do país. Nessa região, os imigrantes ganhavam a propriedade da terra , onde fundaram colônias de povoamento (pequenas e médias propriedades , com mão de obra familiar e produção policultora destinada ao abastecimento interno) que prosperaram bastante. Muitas dessas colônias , com o tempo, se transformaram em importantes cidades , tais como Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC) , fundadas por portugueses; Joinville e Blumenau (SC) , por alemães ; Caxias do Sul , Garibaldi e Bento Gonçalves (RS) , por italianos , dentre dezenas de outras - algumas foram fundadas por outros europeus que vieram em menor quantidade, como os eslavos (poloneses e ucranianos) no Paraná. Os espanhóis não fundaram cidades ; em vez disso espalharam-se pelos grandes centros urbanos de todo o Centro-Sul brasileiro, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro. Em 1908, aportou em Santos a primeira embarcação trazendo colonos japoneses. O destino de quase todos foram as lavouras de café do estado de São Paulo e norte do Paraná ; alguns se instalaram no Vale do Ribeira (SP) e na Zona Bragantina , ao redor de Belém (PA) . Assim como os colonos das demais nacionalidades, sofreram com a escravidão por dívida e tiveram dificuldades de adaptação e integração cultural. As diferenças culturais - língua , religião , alimentação etc. - associadas ao receio de se verem escravizados , levaram os japoneses a criar núcleos de ocupação pouco integrados à sociedade. Desde meados dos anos 1960, muitos de seus descendentes , já plenamente integrados ao cotidiano nacional , migraram das áreas tradicionais de ocupação da colônia e , em sua maioria , fixaram-se na Grande São Paulo. Da década de 1980 até os dias atuais , porém , outros descendentes , fazendo o caminho inverso e seus ancestrais , emigraram em direção ao Japão como trabalhadores os chamados descasseguis), ocupando postos de trabalho renegados por cidadãos japoneses, geralmente em linhas de produção industrial. Com a crise econômica de 2008 e o aumento do desemprego no Japão, esse fluxo estagnou-se e muitos descasseguis voltaram ao Brasil. As correntes imigratórias de menor expressão numérica incluem judeus (espalhados pelo país e provenientes de diversos países , principalmente europeus), árabes (sírios e libaneses , também espalhados pelo país), chineses e coreanos (mais concentrados em São Paulo) e eslavos (principalmente poloneses, Indianos e russos , mais concentrados em Curitiba e outras cidades paranaenses). Há também sul-americanos (sobretudo argentinos , uruguaios, paraguaios, bolivianos e chilenos) , a maioria na Grande São Paulo.
terça-feira, 29 de maio de 2018
O Processo de Urbanização
Chamamos de processo de urbanização a transformação de espaços naturais e rurais em espaços urbanos , concomitantemente à transferência de população do campo para a cidade - que quando acontece em larga escala é chamada de êxodo rural. Desde a Antiguidade as cidades vêm sendo erguidas : UR e Babilônia foram construídas há cerca de 5 mil anos, na Mesopotâmia , planície drenada pelos rios Tigre e Eufrates , onde atualmente se localiza o Iraque . Elas eram centros de poder e de negócios , e a maioria da população vivia no campo. Mesmo quando algumas cidades alcançaram grande dimensão populacional como Roma , que em seu apogeu , no início da Era Cristã, tinha um milhão de habitantes), as taxas de urbanização continuaram muito baixas , porque a atividade agrícola era predominante e ocupava muita mão de obra. Durante a Idade Média , sob o feudalismo , as cidades perderam importância devido à descentralização político-econômica característica desse sistema socioeconômico e à consequente redução das trocas comerciais. Com o desenvolvimento do capitalismo comercial, as cidades passaram a ganhar cada vez mais importância porque voltaram a ser o centro dos negócios, mas foi sobretudo a partir do capitalismo industrial que se iniciou um processo de urbanização consistente. Embora o processo de urbanização tenha se acelerado com as revoluções industriais , foi até meados do século XX um fenômeno relativamente lento e circunscrito aos países pioneiros no processo de industrialização. Mesmo o Reino Unido tornou-se predominantemente urbano somente por volta de 1900. Há dois fatores que historicamente condicionam o processo de urbanização: os atrativos , que movem as populações para as cidades , e os repulsivos , que as repelem do campo. Os fatores atrativos são predominantes em países desenvolvidos e em regiões modernas dos emergentes. Estão associados ao processo de industrialização , ou seja , às transformações provocadas na cidade pela indústria , notadamente quanto à geração de empregos no próprio setor industrial e no de serviços. Essas condições surgiram primeiramente nos países de industrialização antiga , os desenvolvido. Além dessas transformações urbanas , houve uma modernização da agropecuária , principalmente por causa da mecanização da agricultura , que possibilitou a transferência de pessoas do campo para a cidade ao longo da história. Nos séculos XVIII e XIX , durante a Revolução Industrial , as principais cidades dos atuais países desenvolvidos europeus tiveram um crescimento muito rápido , com a consequente deterioração da qualidade de vida.
Os trabalhadores moravam em cortiços e eram frequentes as doenças e epidemias pela falta de saneamento básico . Também não havia legislação trabalhista e o nível geral de renda era muito baixo. Ao longo do tempo e com a abertura dos mercados coloniais , passou a haver um lento crescimento de alguns direitos fundamentais , como a redução do horário de trabalho, férias e descanso semanal remunerado. Os governos passaram a intervir nas cidades , melhorando as condições gerais de saneamento , habitação e transporte. Nessa época , a circulação de mercadorias e de pessoas e a desconcentração da produção industrial ocasionaram o desenvolvimento de outras cidades , que formaram uma densa e articulada rede urbana. Nessa época , a circulação de mercadorias e de pessoas e a desconcentração da produção industrial ocasionaram o desenvolvimento de outras cidades , que formaram uma densa e articulada rede urbana. Os fatores repulsivos são típicos de alguns países em desenvolvimento. Estão associados às péssimas condições de vida existentes na zona rural , por causa da estrutura fundiária bastante concentrada , dos baixos salários , da falta de apoio aos pequenos agricultores , do arcaísmo das técnicas de cultivo etc. O resultado é o êxodo rural , uma grande transferência da população do campo para as cidades , notadamente para as grandes metrópoles , com o consequente agravamento dos problemas urbanos. Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) , com a expansão das empresas multinacionais e o impulso à industrialização em países em desenvolvimento , a urbanização se acelerou em muitos deles até então agrícolas , notadamente na América Latina. Em contrapartida a África e a Ásia até hoje são continentes pouco urbanizados e com poucas grandes cidades em seus territórios , em geral as capitais dos países . Nos países desenvolvidos e em alguns emergentes tem havido um processo de transferência de indústrias das grandes para as médias e pequenas cidades, promovendo uma desconcentração urbano-industrial. O setor que mais tem crescido, principalmente nas grandes cidades , é o de serviços. Com essas transformações , nas regiões do mundo consideradas modernas , já não se pode estabelecer a clássica separação entre campo e cidade , uma vez que atividades antes consideradas urbanas se disseminaram no meio rural. Quanto à organização espacial pode-se dizer que as cidades , apesar das diferenças de tamanho, estilo arquitetônico , idade e funções que exercem , tendem a ficar cada vez mais parecidas : nos últimos anos a globalização intensificou a difusão dos valores e modos de vida das grandes cidades , principalmente as norte-americanas . Dessa forma , por todo o mundo se constroem grandes edifícios comerciais e residenciais , implantam-se bairros com grandes vias destinadas prioritariamente à circulação de veículos particulares , e os shoppings centers ocupam lugar proeminente. No entanto, ao longo da história e até dos dias atuais, muitas cidades se especializaram em algumas funções , o que lhes dá características particulares , enquanto outras são multifuncionais. Embora as zonas urbanas concentrem um percentual cada vez maior da população mundial, a proporção de pessoas que vivem nas grandes aglomerações urbanas continua pequena. Embora as aglomerações de mais de 10 milhões de habitantes venham ganhando cada vez mais população, a maioria dos moradores urbanos ainda se concentra em cidades pequenas e médias , situadas na faixa de menos de 500 mil habitantes. A taxa de urbanização varia muito de país a país . A maioria dos países desenvolvidos , assim como alguns emergentes , apresentam altas taxas de urbanização. Isso ocorre porque o fenômeno industrial , sobretudo em seu início , não se desvincula do urbano. Com exceção da China e da Índia , com as maiores populações do planeta e de industrialização recente , todos os países industrializados apresentam taxas de urbanização relativamente elevadas. O contrário , porém , não é verdadeiro. Há países que apresentam índices muito baixos de industrialização e outros que praticamente não dispõem de um parque industrial, mas que , mesmo assim, são fortemente urbanizados. Finalmente , há países muito pobres que ainda são predominantemente rurais.
O Neoliberalismo E O Estado Neoliberal
O neoliberalismo compreende a liberação crescente e generalizada das atividades econômicas , compreendendo a produção, distribuição, troca e consumo. Funda-se no reconhecimento da primazia das liberdades relativas às atividades econômicas como pré-requisito e fundamento da organização e funcionamento das mais diversas formas de sociabilidade, compreendendo não só as empresas, corporações e conglomerados, mas também as mais diferentes instituições sociais. "Neo" liberalismo porque se impõe e generaliza em escala mundial, alcançando inclusive os países nos quais se havia experimentado ou continua a experimentar-se o regime socialista ou planejamento econômico centralizado. Sob o neoliberalismo , reforma-se o Estado [...] . O poder estatal é liberado de todo e qualquer empreendimento econômico ou social que possa interessar ao capital privado nacional e transnacional. Trata-se de criar o "Estado Mínimo", que apenas estabelece e fiscaliza as regras do jogo econômico, mas não joga. Tudo isso baseado no pressuposto de que a gestão pública ou estatal de atividades direta e indiretamente econômicas é poucas eficaz , ou simplesmente ineficaz. O que está em causa é a busca de maior e crescente produtividade , competitividade e lucratividade, tendo em conta os mercados nacionais, regionais e mundias. Daí a impressão de que o mundo se transforma no território de uma vasta e complexa fábrica global, ao mesmo tempo que shopping center global e disneylândia global.
+Ianni, Octávio. Capitalismo, violência e terrorismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira , 2004. P. 313-4.
A Emergência De Uma Sociedade Industrial
A Grande Guerra, na Europa, ajudou a acelerar o processo industrial brasileiro. Os lucros do café e a necessidades de substituir as importações proporcionaram certo impulso ao desenvolvimento da indústria. Cafeicultores , diversificando seus interesses, e imigrantes que chegavam ao Brasil com capital , aos poucos, tornaram-se a base da classe industrial emergente. Como a metrópole do café, situada em uma região , cruzando ferrovias, São Paulo foi a cidade que mais cresceu no período. Durante os anos 1929, as indústrias paulistas superaram, numericamente, as da capital federal. Novos bairros, bondes, luz elétrica e outras melhorias passaram a fazer parte do cotidiano da cidade, que , com uma forte presença de imigrantes europeus, virou um importante centro cosmopolita. Nas primeiras décadas do século XX , o Brasil atraiu inúmeros investimento externos, em especial, dos americanos. Os interesses , porém, não se limitaram às ferrovias, indústrias de Borracha, etc. Fundações como a Rockfeller participaram ativa mente da formação de profissionais da saúde, como enfermeiras e pesquisadores sanitaristas. Tal como processo de industrialização europeu, o estabelecimento das relações de trabalho no Brasil gerou tensões entre os operários , submetidos a condições precárias, e os novos empresários. Convenções internacionais, como a jornada de oito horas diárias e a proibição do trabalho de menores de 14 anos e do trabalho noturno de menores de 18 anos, não eram respeitadas. Gradativamente, os operários foram se organizando , sob a influencia do anarquismo, do sindicalismo - trazidos por imigrantes- e da doutrina social da Igreja. Além de pressionar por melhores condições de trabalho no estabelecimento de escolas populares e caixas de ajuda mútua. A insalubridade de muitas fábricas, os baixos salários e, primacialmente, a falta de leis sociais e trabalhistas ocasionaram as primeiras greves de trabalhadores. Entre 1917 e 1980, eclodiram paralisações envolvendo várias categorias. Com exceção de algumas administrações mais paternalista, em geral , os industriais se mantinham intransigente às reivindicações operárias e tratavam as greves como caso de polícia. Em 1921, uma lei com o intuito de reprimir os movimentos grevistas e a influência anarquista foi aprovada, fazendo com que muitas lideranças operárias imigrantes fossem presas e reportadas aos seus países de origem. Paulatinamente, os empresários também se organizaram como classe social para intervir em favor de seus interesses. Destacou-se, nesse sentido, a criação do Centro de Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), que , dois anos depois , tornou-se Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Ao menos no plano legislativo, a pressão operária surtiu algum efeito. A chamada "questão social" foi inserida na pauta governamental. Em 1925, aprovou-se a Lei de Férias, garantido aos trabalhadores o descanso anual de 15 dias. O Código do Trabalho do Menor, aprovado em 1926, vetava o trabalho de quem tivesse menos de 14 anos. Contudo, pela ausência de fiscalização, a legislação nem sempre era cumprida. Durante a década de 1920, no Brasil, viram-se reflexos da grande polarização política, que, primacialmente após a Revolução Russa, se estabeleceu em diversos países. Diante da crescente reivindicação social e da organização mundial dos partidos de esquerda, em 1922, surgiu o Partido Comunista Brasileiro, reunindo, gradativamente, parte do movimento operário. Desde cedo, porém, o Partido foi colocado na ilegalidade e sofreu uma forte repressão. Ainda assim, em 1927, conseguiu organizar o Bloco Operário-Camponês (BOC) e participar das eleições de maneira mais efetiva , elegendo alguns parlamentares na capital federal. Embora, nesse período, o Brasil ainda pudesse ser considerado um país especialmente rural e agrário, as agitações da década de 1920 sinalizavam que os processos de industrialização e urbanização se aceleravam. Muitos trabalhadores da Região Nordeste e de Minas Gerais deram início a um movimento de êxodo rural, dirigindo-se , especialmente, para as cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. De Norte a Sul, as cidades cresceram e passaram a contar com reformas urbanas. Todavia, a médio prazo, não foi possível solucionar os problemas de infraestrutura , causados pela aglomeração de pessoas. As desigualdades regionais aumentaram . A industrialização era mais forte no Sudeste. O Sul, aos poucos, foi se integrando , com uma produção voltada ao mercado interno. Já o Norte e o Nordeste, com uma economia regionalizada, tiveram maiores dificuldades de participação no mercado nacional.
O Congresso De Viena E A Restauração
Diante das grandes mudanças ocasionadas pela difusão dos ideais da Revolução Francesa, com a expansão napoleônica, as monarquias tradicionais se uniram para conter a onda de transformações que se alastrava. Com a derrota de Napoleão , representantes dos maiores Estados europeus reuniram-se no Congresso de Viena para traçar uma estratégia de reconstrução política da Europa. Tomando como base o princípio da legitimidade , calçado na tradição, optou-se pela restauração das dinastia europeias afastadas pela expansão da Revolução Francesa. Desse modo, o Antigo Regime foi, em parte, preservado na Europa Central e na Oriental. Na França, as intensas modificações trazidas pela revolução fizeram com que o governo restaurad Bourbons na, na figura de Luís XVIII, se estabelecesse como uma monarquia constitucional, em que as instituições representativas , como a câmara eletiva , e o fim da servidão é dos privilégios- conquistas revolucionárias- fossem mantidos. Na prática, as decisões do Congresso de Viena, sob a liderança das principais nações coligadas - Prússia, Rússia, Áustria e Inglaterra - , alteraram significativamente o mapa político europeu. A França teve de restituir a maioria dos territórios obtidos com a conquista napoleônica , ficando sob ocupação durante cinco anos, até que uma pesada indenização aos vencedores fosse quitada. A Prússia, a Rússia e a Áustria ampliaram sua territórios , reduzindo as divisões políticas na Europa, sobretudo na Alemanha e na Itália , e ascendendo como grandes potências. Na Espanha e em Portugal , foram restauradas as dinastias Bourbon e Bavança, respectivamente. A Inglaterra foi bastante beneficiada pelas decisões do Congresso , com o estabelecimento da livre navegação dos mares e rios e a garantia de suas novas bases navais no Sul da África, no Mediterrâneo (Ilhas Jônicas e Malta) e no Ceilão . Para garantir as disposições do acordo de paz e reprimir novos movimentos revolucionários , em 1815, decidiu-se pela assistência mútua entre os soberanos de direito divino. Um pacto diplomático supranacional conhecido como Santa Aliança foi assinado pelas principais monarquias da nova ordem europeia, com exceção da Inglaterra. Entretanto, o objetivo de impelir as guerras e revoluções e, com isso, instalar uma paz duradoura foi apenas parcialmente alcançado . No plano da política externa, garantiu-se relativa estabilidade. De 1815 e 1914, houve poucas e localizadas guerras na Europa, nenhuma envolvendo mais dois grandes Estados. Na situação interna dos reinos e nações, porém, a restauração foi parcial e o compromisso político revelou-se instável. Logo , as oposições aos "novos velhos regimes" se insurgiram contra eles.
Veículos Movidos A Colchão de Ar
A aplicação do ar em movimento no transporte em meio aquático é conhecida desde a antiguidade com os barcos a bela. No entanto esse tipo de veículo não é mais utilizado comercialmente pelos países desenvolvidos, devido à sua lentidão e por estar sujeito às condições do vento. Na verdade , até mesmo os mais sofisticados navios de carga ou de passageiros são relativamente lentos, se comparados aos aviões que se locomovem em outro meio, o ar. ESSA diferença é justificada em razão da resistência imposta pela água que limita a velocidade dos veículos marítimos: quanto mais veloz é o navio, maior a resistência da água e por isso maior é a energia gasta pelo navio para superá-la. Isso parece mostrar que o transporte marítimo nunca poderá ser ao mesmo tempo rápido e eficiente. Hoje , porém, existem veículos que estão contornando essa dificuldade, podendo atingir velocidades bem superiores a 100 quilômetros por hora. Quase não encontrado resistência ao seu movimento, esses aparelhos deslocam-Se sustentados por colchão de ar comprimido, não tocando a água; são comumente denominados hovercraft, devido ao nome da fábrica que desenvolveu os primeiros modelos. Não é difícil compreender como funcionam os veículos movidos a colchão de ar. Basta pensar em um copo emboscado sobre uma mesa , para o interior do qual se bombeiro continuamente ar por meio de um tuno. A pressão interna irá aumentando e produzirá uma força de baixo para cima que pode ser suficiente para levantar o copo. Suas bordas ficarão levemente distanciadas da mesa, e o ar escapará por esse espaço em quantidade igual que continua entrando. Não estando mais em contato com a mesa, já que a sustentação é feita pelo ar, o copo poderá se mover , desde que ele não se incline nem haja irregularidades na superfície. O mesmo ocorre nos veículos movidos a colchão de ar: eles se elevam acima da superfície, devido ao que flui para baixo. Podem ser impulsionados a altas velocidades, sujeitos apenas a uma pequena resistência do ar externo. Os hovercrafts movem-se indiferentemente sobre a água ou terre no sólido ou mesmo lama , desde que as irregularidades da superfície não ultrapassem certos limites. Eles não se elevam muito, mas em compensação gastam uma energia menor do que um veículo aéreo em sua sustentação.
As Guerras Napoleônicas
Napoleão Bonaparte justificava suas conquistas afirmando estar libertando os povos dos "grilhões" do Antigo Regime. Seu soldado-cidadão estava então propagando os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade para os outros povos da Europa. Aqueles que morriam em suas campanhas estavam dando a vida por um ideal. No entanto, muitos não-franceses acreditavam que Napoleão representava os ideais democráticos. Beethoven era um ardoroso defensor da ideologia da Revolução Francesa. Em 1803, iniciou a composição da sinfonia heroica em homenagem a Napoleão. Mas no ano seguinte arrancou a dedicatória , ao saber que ele se fizera coroar imperador. Em 1805 e 1807, Napoleão Bonaparte impôs derrotas decisivas à Áustria, à Prússia, tornando-se na prática o senhor da Europa. O imperador francês ressalta a a vantagem de "um ataque rápido e audacioso" sobre a guerra defensiva travada de uma posição fixa. Valendo-se da surpresa, Napoleão empregava vários estratagemas para confundir seus adversários: informações errôneas aos jornais , ofensivas secundárias, colocação de uma densa cortina de cavalaria na frente de colunas em marcha para impedir a penetração das patrulhas inimigas. Chegando ao campo de cavalaria na frente de colunas em marcha para impedir a penetração das patrulhas inimigas. Chegando ao campo de batalha antes do previsto, ele escolhia cuidadosamente os melhores roteiros para chegar aos destino determinado; procurando abastecer-se nas regiões que atravessava , eliminava os lentos comboios de abastecimento e inspirava seus homens a feitos incríveis de marcha, quando se aproximavam do exército adversário. Na primeira campanha italiana, seus homens cobriram 80 quilômetros em 36 horas; em 1805, contra a Áustria, marcharam 440 quilômetros em 23 dias. Num período incrivelmente rápido , derrotou , em 1805, as força auto-russas em Austerlitz e, em 1806, as tropas prussianas. Suas campanhas anunciavam a aceleração da máquina de guerra e foram precursoras das guerras-relâmpago do século XX. Com diferentes graus de determinação e sucesso, Napoleão estendeu as medidas da Revolução Francesa a outras terras. Seus administradores instituíram o Código de Napoleão Algodão e igualará os pagamentos de impostos, abolidas a servidão e os pagamentos de obrigações senhoriais , introduziram um sistema unificado de pesos e medidas, promoveram a educação pública, combateram a interferência da Igreja na autoridade secular e apoiaram a tolerância religiosa. Com essas reformas, Napoleão tinha um duplo objetivo: promover a eficiência administrativa e conseguir o libertador. Havia, porém, um outro lado. Napoleão, o tirano da Europa, transformou países conquistados em satélites, colocou parentes seus nos tronos e explorou essas terras em favor da França. Os Estados-satélites e os territórios anexados eram obrigados a fornecer receitas para seus exércitos e impostos para seu tesouro de guerra . Tais métodos alimentaram o ódio a Napoleão.
segunda-feira, 28 de maio de 2018
A Prisão do Antigo Regime
"[...] Quadros sobre a queda e demolição da Bastilha invariavelmente a mostram mais alta do que de fato era. A maior torre não ultrapassava uns 22 metros , porém Hubert Robert , especialista em grandiosidade de ruínas , conferiu-lhe dimensões babilônicas . Em seus quadros , essas paredes tornam-se escarpas gigantescas que só podiam ser conquistadas pela coragem e pela vontade sobre-humanas do povo. [...] Por certo a Bastilha de sua pintura , com pequeninas figuras escalando as muralhas , sugere um imenso castelo gótico de escuridão e isolamento , um lugar onde homens desapareciam sem qualquer aviso e nunca voltavam a ver a luz do dia- até que os escavadores revolucionários desenterraram seus ossos. Essa era a lenda da Bastilha . Sua realidade era bem mais prosaica. [...] Para a maioria dos prisioneiros, as condições não eram tão ruins como em outras prisões [...]. (Quanto a isso, comparada com o que as tiranias do século XX inventaram , a Bastilha era um paraíso.) [...] A maioria dos prisioneiros ocupavam celas octogonais , com cerca de cinco metros de diâmetro [...] . Na época de Luís XVI, cada um tinha uma cama com cortinado de sarja verde , uma ou duas mesas e várias cadeiras. Todos tinham um fogão ou estufa , e em muitas celas podiam chegar à janela de barras triplas subindo uma escadinha de três degraus junto à parede. Muitos podiam levar seus pertences e também cães e gatos para acabar com ratos e insetos. [...] A comida - coisa crucial na vida dos prisioneiros - também variava de acordo com a condição social . [...] O escritor Marmontel babava ao lembrar 'uma sopa excelente, um suculento bife, uma coxa de frango pingando gordura [uma virtude no século XVIII], um pratinho de alcachofras fritas e marinadas ou de espinafre , deliciosas peras de Cressane , uvas frescas , uma garrafa de velho borgonha e o melhor café". Ninguém queria ir para a Bastilha. Porém , uma vez lá dentro , a vida dos privilegiados podia se tornar mais suportável . Permitiam-se álcool e tabaco e na época de Luís XVI introduziram-se jogos de cartas para detentos que partilhassem a cela e uma mesa de bilhar para uns nobres bretões que a requisitaram. Alguns hóspedes literatos até viam um certo encanto na Bastilha , pois ali se estabeleciam seus credenciais de opositores do despotismo. [...] Se não existisse , pode-se dizer , seria preciso inventá-la . E sob certos aspectos ela foi reinventada por uma série de escritos de prisioneiros que realmente sofreram dentro de suas paredes , mas cujos relatos transcendem sua verdadeira experiência na prisão. Estes eram tão vividos e assustadores que conseguiram criar ferrenha oposição na qual se apoiavam os críticos do regime. [...] A crítica era tão poderosa que quando a fortaleza foi tomada a decepcionante realidade da libertação de apenas sete prisioneiros (dois lunáticos, quadro falsários e uma aristocrata delinquente) se viu excluída das expectativas míticas."
-SCHAMA, Simon. Cidadãos. São Paulo : 1989.
A Ascensão do Nazismo na Alemanha
Viu-se que, após a Primeira Guerra , o Tratado de Versalhes (1914) impôs duras condições aos perdedores. Rica em carvão e aço e com a maior população da Europa , a Alemanha perdeu parte de seus territórios para a Polônia e os novos Estados criados no Leste Europeu. Além disso, ficou sujeita a pagar uma pesada indenização e sofreu sérias restrições militares. No início dos anos 1920, os alemães enfrentaram uma enorme instabilidade política e econômica. Uma inflação gigantesca e o desemprego em massa assombravam os trabalhadores e as classes médias. Apenas as empresas de exportação e os especuladores acumulavam grandes fortunas com a desvalorização da moeda. O novo governo, conhecido como República de Weimar , sob liderança do Partido Social-Democrata - responsável pela assinatura do Tratado de Paz - , logo passou a sofrer oposição de parte da população. Já em 1919, entre tantos grupos contrários ao Tratado de Versalhes , pregando o revanchismo alemão , foi criado o Partido Nacionalista-Socialista Dos Trabalhadores Alemães ou Partido Nazista, ultranacionalista e anticomunista. Logo , Adolf Hitler (1889-1945) , o ex-combatente da Primeira Guerra , tornou-se o principal líder do partido . Grupos armados , paramilitares , organizaram-se para proteger suas reuniões e invadir a de seus opositores. Surgiram , assim, as tropas de assalto ou SA (Camisas Pardas). Em 1923, Hitler tentou dar um Golpe de Estado e foi condenado a cinco anos de prisão , mas cumpriu apenas oito meses. Enquanto estava detido, escreveu a autobiografia Mein Kampf (Minha Luta), a qual expôs seus principais pensamentos e superioridade ariana e a necessidade de se impor às demais nações. A Crise de 29 , com o consequente corte de empréstimos externos, interrompeu o processo de recuperação econômica da Alemanha. O aumento das falências , do desemprego e da pobreza favoreceu a ascensão de extremistas políticos - de direita e de esquerda - , que se tornaram maioria no Parlamento. Nesse contexto , as tropas de assalto impuseram a violência nas ruas por meios de confrontos contra seus opositores. Assustados com o crescimento do comunismo , empresários e latifundiários reviram a possibilidade de apoiar Hitler para conter o caos social. Nessa conjuntura , os nazistas receberam recursos para sua propaganda e o partido tornou-se o segundo maior da Alemanha. Muitos alemães passaram a acreditar que a República de Weimar lhes havia sido imposta aos aliados.
Seleção: Uma Reprodução Diferencial Entre Organismos
Na seleção natural são favorecidas as características que aumentam o sucesso reprodutivo dos indivíduos. Esse sucesso pode ser resultado de vários tipos de adaptação. Algumas aumentam a chance de o organismo conseguir comida (Maior Velocidade , dentes mais fortes, etc.) ; outras (como a camuflagem) o ajudam a se defender dos predadores ou a sobreviver às condições físicas do ambiente (proteção contra o frio, contra a perda de água, etc.) . Com essas adaptações, cresce a chance de sobrevivência do indivíduo e aumentam suas oportunidades de chegar à idade reprodutiva. Em outras vezes são beneficiados fatores que aumentam a fertilidade do individuo. Mesmo sobrevivendo menos tempo , ele poderá deixar um número maior de filhos que seu competidor. Também são favorecidas características que facilitam ao indivíduo conseguir um parceiro sexual ou aumentar os cuidados com a prole , fazendo com que um numero maior de filhos sobreviva até a idade reprodutiva. Portanto, em última análise , a seleção natural nada mais é que uma reprodução diferencial , ou seja, uma consequência do fato de indivíduos com genótipos diferentes terem sucesso reprodutivo distinto. A evolução é provocada por vários fatores porém além da seleção natural - entre eles , a migração, a mutação e a deriva genética. Esses fatores podem alterar a frequência relativa dos genes e dos indivíduos em uma população , ou seja, podem provocar evolução. Portanto, a seleção natural não é o único fator evolutivo. Em certos momentos da historia da Terra ocorreu a extinção de grande número de especies - em alguns casos , mais de 80% delas - em um curto intervalo de tempo. Em termos geológicos, curto significa entre 10 mil e 100 mil anos. São chamadas as extinções em massa, provocadas , por exemplo, por grandes mudanças climáticas no planeta, causadas pelos movimentos das placas tectônicas ou pela queda de asteroides, entre outros fatores. Nesses período , o fato de uma espécie estar mais adaptada que outra pode não contar nada para sobrevivência pois houve uma mudança drástica e imprevisível no ambiente. Muitas características se originam da herança de antepassados. Por exemplo, o fato de uma baleia ter pulmões em vez de brânquias é explicado por sua história evolutiva, isto é, pelo fato de ela ter evoluído a partir de um mamífero terrestre. Da mesma forma , o fato de ela utilizar movimentos verticais para nadar, em vez de horizontais, como fazem os peixes, deve-se à herança de uma estrutura óssea e muscular adaptada originalmente para a corrida e presente no mamífero terrestre que lhe deu origem. Portanto, mutações e seleção natural agem sobre estruturas herdadas de ancestrais, o que limita o potencial de adaptações que podem surgir em determinado ambiente. Outra forma incorreta de ver a evolução é imaginar esse processo como uma escada , em que formas menos adaptadas são substituídas por outras mais adaptadas. Na realidade, todas as formas de vida atuais surgiram depois de um longo processo de evolução, que produziu organismos capazes de sobreviver em determinado ambiente e deixar descendentes. Por isso não se pode dizer que um mamífero é "mais adaptado" que um réptil, por exemplo. Cada um está adaptado a um ambiente, a um modo de vida. Assim, a história evolutiva das espécies deve ser vista como uma "árvore". Na ponta de cada ramo de árvore estão as espécies atuais. Abaixo de cada ramo estão as espécies ancestrais, que não existem mais e originaram as atuais. Por fim, é importante ter em mente que a competição não é o único fator determinante da evolução. A cooperação também é uma força evolutiva importante e não apenas entre abelhas, cupins ou formigas. Em muitos grupos de mamíferos, quando um animal avista um predador , ele emite um grito de alarme para avisar os outros do perigo. Os morcegos por qual salvam outros membros do grupo devido a inanição dividindo com eles o sangue que conseguiram.
Caatinga
A caatinga ocupa aproximadamente 1 milhão de quilômetros quadrados (pouco mais de 11% do território brasileiro) e estende-se pelos estados no Nordeste (Piauí , Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia) e pelo norte Minas Gerais. Trata-se de uma zona quente e seca , de clima semi árido, com baixo índice pluviométrico e estações de seca prolongada. Na época das chuvas , a vegetação é verde. No período das secas a caatinga não tem folhas e seu aspecto é esbranquiçado ; daí o seu nome , que em tupi significa "mata branca". A vegetação está adaptada ao clima seco (Plantas Xerófilas) . É comum a família das cactáceas que inclui plantas , como o quipá. Existem também plantas grandes e arborescentes , como o mandacaru, o facheiro , a coroa-de-frade e o xiquexique. Destacam-se também a maniçoba , o marmeleiro, umbuzeiro, a barriguda e os ipês. A oiticica e o juazeiro caracterizam-se por não perderem suas duras folhas na época das secas. A baraúna , o pai-ferro, o sabiá e a aroeira são exemplos da boa madeira desse ecossistema. Não há grande variedade de espécies animais. Estão presentes alguns mamíferos , como o sagui-do-nordeste, o macaco-prego, o tatupeba, o mocó (Pequeno roedor), o gambá, o preá o caititu , o veado-catingueiro, a cutia e o tatu-bol, a ema, a seriema, a pomba-avoante e o galo-de-campina. Há também répteis - como calango, a jibóia e a cascavel - e anfíbios - como o sapo-cururu. Como os demais ecossistemas brasileiros, a caatinga também está ameaçada , restam 50% da vegetação original. Nela , o desmatamento leva rapidamente à desertificação . A construção de canais e açudes é importante porque permite regar pastos e plantações. A irrigação do solo ajudaria a aumentar a produção de milho, feijão , mandioca e algodão.
A Dupla Face Da Modernização Agrícola
Quando se analisa a modernização da agricultura, é comum que se pense apenas na modernização das técnicas - substituição de trabalhadores por máquinas , uso intensivo de insumos e desenvolvimento da biotecnologia - e que se esqueça de observar as consequências dessa modernização na relações sociais de produção e na qualidade de vida da população. O campo brasileiro foi dominado pela grande propriedade ao longo da história. Entre as décadas de 1950 e 1980 , a monocultura e a mecanização foram estimuladas por sucessivos governos como modelo de desenvolvimento e crescimento econômico. Enquanto isso, a agricultura familiar esteve relegada a segundo plano na formulação das políticas agrícolas, resultando na expulsão acelerada de pequenos proprietários e trabalhadores rurais do campo para as cidades. Diferentemente do ocorrido em países desenvolvidos, em nosso país os empregos no setor urbano-industrial eram em geral mal remunerados e não proporcionaram condições adequadas de moradia, alimentação e transporte, além de outras necessidades básicas. Os agricultores dos países europeus ocidentais e dos Estados Unidos que migraram para as cidades o fizeram predominantemente por fatores de atração (maior densidade de comércio e serviços, salários mais altos etc.) . No Brasil os fatores de repulsão (concentração de terras, baixos salários, desemprego etc.) foram os que mais contribuíram, e ainda contribuem , para explicar o movimento migratório rural-urbano. É impossível entender as grandes desigualdades sociais do Brasil, que apresenta uma das maiores concentrações de renda do mundo, sem considerar essa dinâmica. A opção pelo fornecimento da agricultura familiar e a realização de reforma agrária, sobretudo nas décadas em que a população era predominantemente rural, poderiam ter possibilitado melhores condições de vida a milhões de famílias. Uma das consequências da modernização das técnicas é a completa subordinação da agropecuária ao capital industrial - além da valorização das terras agricultáveis , que promove a concentração das propriedades e a intensificação do êxodo rural. CASO m agricultor se recuse a comprar os fertilizantes produzidos pelas indústrias ou não tenha condições financeiras para isso, terá sérias dificuldades em vender sua produção, porque os alimentos terão uma aparência inferior e o preço pago pelos comerciantes será menor.
Quando se analisa a modernização da agricultura, é comum que se pense apenas na modernização das técnicas - substituição de trabalhadores por máquinas , uso intensivo de insumos e desenvolvimento da biotecnologia - e que se esqueça de observar as consequências dessa modernização na relações sociais de produção e na qualidade de vida da população. O campo brasileiro foi dominado pela grande propriedade ao longo da história. Entre as décadas de 1950 e 1980 , a monocultura e a mecanização foram estimuladas por sucessivos governos como modelo de desenvolvimento e crescimento econômico. Enquanto isso, a agricultura familiar esteve relegada a segundo plano na formulação das políticas agrícolas, resultando na expulsão acelerada de pequenos proprietários e trabalhadores rurais do campo para as cidades. Diferentemente do ocorrido em países desenvolvidos, em nosso país os empregos no setor urbano-industrial eram em geral mal remunerados e não proporcionaram condições adequadas de moradia, alimentação e transporte, além de outras necessidades básicas. Os agricultores dos países europeus ocidentais e dos Estados Unidos que migraram para as cidades o fizeram predominantemente por fatores de atração (maior densidade de comércio e serviços, salários mais altos etc.) . No Brasil os fatores de repulsão (concentração de terras, baixos salários, desemprego etc.) foram os que mais contribuíram, e ainda contribuem , para explicar o movimento migratório rural-urbano. É impossível entender as grandes desigualdades sociais do Brasil, que apresenta uma das maiores concentrações de renda do mundo, sem considerar essa dinâmica. A opção pelo fornecimento da agricultura familiar e a realização de reforma agrária, sobretudo nas décadas em que a população era predominantemente rural, poderiam ter possibilitado melhores condições de vida a milhões de famílias. Uma das consequências da modernização das técnicas é a completa subordinação da agropecuária ao capital industrial - além da valorização das terras agricultáveis , que promove a concentração das propriedades e a intensificação do êxodo rural. CASO um agricultor se recuse a comprar os fertilizantes produzidos pelas indústrias ou não tenha condições financeiras para isso, terá sérias dificuldades em vender sua produção, porque os alimentos terão uma aparência inferior e o preço pago pelos comerciantes será menor.
Conspirações e Revoltas Na América Portuguesa
Potência hegemônica na Europa, a Inglaterra era a vanguarda das transformações industriais e editava as novas regras em nome da liberdade de comércio. Ao mesmo tempo, os Estados Ibéricos ressentiam-se de suas manufaturas medíocres, incapazes de concorrer com a produção britânica. Por meio de guerras, contrabando e acordos diplomáticos, a Inglaterra conseguia ampliar seu comércio com outras metrópoles e respectivas colônias, submetendo-as a uma dependência estrutural, ou seja, reservando-lhes o papel de fornecedoras de gêneros agrícolas e matérias-primas, e de consumidoras de produtos industriais. Assim, as estruturas agrárias dos demais Estados e respectivas colônias articulavam-se às estruturas industriais de potência inglesa, numa nítida relação de dependência econômica. No limite, a Inglaterra procuraria estimular a independência das colônias para consolidá-las como mercados consumidores, livres das restrições comerciais do pacto colonial. Com a Revolução Industrial, o Antigo Sistema Colonial, baseado na extratividade de trocas mercantis entre colônia e metrópole, surgia como obstáculo para a expansão do capitalismo. Portugal dependia da parceria inglesa para defender seu combalido Império ultramarino e tornou-se uma das principais aéreas de influência britânica. Dessa forma, as bases do sistema colonial português foram gradativamente solapadas até se romperem completamente no início do século XIX. Testemunhos de viajantes, rumores, notícias e livros eram agora os pregadores do princípios liberais , que os antigos poderosos não tardaram a nomear de "diabólicos". As incendiárias idéias satânicas , no entanto, representavam para muitos o fim das tiranias cometidas em nome de Deus e o começo de uma nova época da História. Uma época de questionamentos e revoluções. Nas capitanias de Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco, o descontentamento dos colonos culminou na contestação do poder metropolitano. A instabilidade das atividades mineradoras , a crescente fiscalização e tributação por parte da Coroa portuguesa, o desenvolvimento de novos interesses econômicos ligados ao abastecimento interno das regiões americanas e as notícias acerca da independência dos Estados Unidos e da Revolução Francesa tornaram mais tensa e complexa a vida colonial. Ao contrário de outros movimentos e rebeliões ocorridos nos séculos anteriores (Revolta de Beckham, Guerra dos Emboabas, Guerra dos Mascates, Revolta de Filipe dos Santos, sem contar os inúmeros conflitos envolvendo os jesuítas) , a inconfidência mineira (1789) , a Conjuração do Rio de Janeiro (1794) e a Revolta dos Alfaiates (1798) punham em causa a subordinação da colônia ao poder da Coroa portuguesa , ampliando o horizonte político das revoltas coloniais.
A Independência Do Brasil
A partir de agosto de 1821, começaram a desembarcar em Lisboa os representante das províncias brasileiras. Pouco a pouco, as divergências foram se manifestando até intensificarem-se com a chegada da ruidosa bancada Paulista, que logo se articulou a outros deputados mais exaltados, como os baianos Agostinho Gones, Cipriano Barata e Lino Coutinho. Os paulistas, além da monarquia dual, defendiam a igualdade a igualdade do número de deputados brasileiros e portugueses mas Cortes (dos cerca de 200 parlamentares, 130 eram Metrópole) e um governo executivo para o Reino do Brasil com autonomia em relação a Lisboa. Na verdade, eles pretendiam um federação de dois reinos independentes, Brasil e Portugal, com a supremacia político-econômica para o primeiro. A possibilidade de manter a ex-colônia unida a Portugal tornava-se cada vez mais difícil. Separação e independência eram palavras pronunciada com mais frequência nos debates parlamentares. Parte dos deputados brasileiros recusou-se a assinar e a jurar a Constituição elaborada em Portugal. Nos meses de setembro e outubro de 1822, começou a debandada desses, que deixavam Portugal e regressavam ao Brasil. A ruptura já fora realizada. Enquanto os debates se arrastavam em Lisboa, uma composição política surpreendente selou o destino do Império colonial português e determinou a emancipação política da elite do Brasil. Com o objetivo de garantir a manutenção da ordem escravista e propiciar a hegemonia política da elite do Centro-Sul, grandes proprietários de terras e traficantes de escravos de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais articularam-se em torno de D.Pedro e da burocracia portuguesa. Para o príncipe regente, a independência do Brasil seria o último recurso para derrotar as movimentações liberais em curso em Portugal. Reformas eram preferíveis a revolução porque poderiam ser estabelecidas pelos grupos dominante sem a incômoda e questionadora participação popular, como ensinaram a Revolta dos Alfaiates e a Insurreição Pernambucana. Assim, a articulação que culminou na independência revelou-se um pacto político com tempero tropical: um príncipe absolutista e uma elite escravista é liberal.
A Primeira Guerra Mundial
Em 1907 Pablo Picasso, personagem-símbolo das artes no século XX, concluía a obra-chave "As Donzelas de Avignon". As Donzelas parecem zombar das convenções para criar uma ilusão de realidade. Onde está a perspectiva? Onde está o sombreado dos elementos para sabermos o lugar em que a luz incide? As figuras encontram-see fragmentadas, apontado para direções distintas, pintadas com estilos diferentes. As três donzelas da esquerda têm os rostos moldados segundos antigas esculturas ibéricas. As da direita são máscaras africanas. Picasso, com um olho em suas origens hispânica e outro na escultura negra, estava, agressivamente, atacando um estilo consagrado de pintura. Como afirmou o crítico de arte e ex-prefeito de Roma Giulio Argan (1909-1992), "na história da arte moderna [o quadro] é a primeira ação de ruptura". Apesar de alguns artistas como Picasso estarem então anunciando a crise da cultura européia antes da Primeira Guerra Mundial , ainda predominavam um certo fascínio iluminista pela tecnologia, que conduziria o homem ao progresso, e pela luz da ciência, que produziria homens cada vez melhores e mais sábios. Mas o que a racionalidade tecnológica produziu foi a mais devastadora guerra da História da humanidade. " As luzes se apagam em toda a Europa", disse o secretário das Relações Exteriores da Grã-Bretanha na noite em que a Inglaterra e a Alemanha entraram em guerra. O progresso tecnológico capacitou os combatentes a se exterminarem com uma eficiência sem precedentes. A Europa se converteu num matadouro: cerca de 17 milhões de mortiz e 20 milhões de feridos. Armas químicas, aviões bombardeiros e submarinos inauguraram a era do massacre.
Entrevista Com Stálin
Em outubro de 1934 o escritor H.G, Wells entrevistou em Moscou Joseph Stálin. À certa altura Wells disse: "[...] A visita aos Estados Unidos me perturbou. Lá , o velho mundo financeiro está entrando em colapso; a vida econômica do país está sendo reorganizada sobre novas diretrizes. Disse Lênin : ' Nós temos que aprender a fazer negócios", aprender com os capitalistas. Hoje, os capitalistas têm que aprender com o senhor , entender o espírito do socialismo. Parece-me que o que está ocorrendo nos Estados Unidos é uma profunda reorganização, isto é , a criação de uma economia socialista planejada . O senhor e Roosevelt começa de dois pontos de partida diferentes. Mas não existe um relação entre as idéias e as necessidades de Washington e Moscou? Em Washington, tive a mesma sensação que tenho aqui; eles estão construindo novos prédios , criando uma série de novos órgãos de regulamentação do Estado, organizando um serviço público necessário há muito tempo. A necessidade deles , assim como a da URSS, é a eficiência do governo. Stálin - Os Estados Unidos têm uma meta diferente da nossa. O objetivo dos americanos surgiu a partir dos problemas econômicos , da crise econômica. Os americanos querem se livrar da crise através da atividade capitalista privada sem mudanças nas bases da economia. Eles estão tentando reduzir ao mínimo os estragos , as perdas causadas pelo sistema econômico existente. Aqui, entretanto , como o senhor sabe, no lugar das velhas bases econômicas destruídas , foram criadas novas bases econômicas completamente diferentes. Mesmo que os americanos que o senhor mencionou consigam atingir , em parte, a meta deles, isto é , reduzir essas perdas ao mínimo , eles não irão destruir as raízes da anarquia herdada do sistema capitalista existente . [...] É por isso que , objetivamente , não haverá nenhuma reorganização da sociedade. Também não haverá economia planejada. O que é a economia planejada? Quais são as suas características? A economia planejada tenta acabar com o desemprego . Vamos supor que seja possível reduzir o desemprego ao mínimo e, ao mesmo tempo, preservar o sistema capitalista. Mesmo assim, com certeza , nenhum capitalista concordaria em acabar completamente com o desemprego , acabar com o exército de desempregados que tem como propósito exercer pressão sobre o mercado de trabalho, assegurando uma oferta de mão-de-obra barata. [...]"
-ALTMAN, Fábio (org). A Arte da entrevista . São Paulo: Scritta, 1995. P. 128-129.
Características Literárias Da Terceira Geração Modernista Brasileira
Do ponto de vista literário , essa geração representa um retrocesso em relação às conquistas de 22 : ela propõe uma volta ao passado, com a revalorização da rima, da métrica , do vocabulário erudito e das referências mitológicas. A geração de 45 é , nesse sentido, passadista , acadêmica , inexpressiva em termos de grandes autores e grandes obras , mesmo abordando temas contemporâneos. Por outro lado, coube a ela introduzir , muito positivamente , uma nova cultura internacional nas letras brasileiras. Autores como Rainer Maria Rilke , Ezra Pound , T.S. Eliot , Fernando Pessoa, Paul Valéry , Frederico Garcia Lorca influenciaram-na significativamente . Domingos Carvalho da Silva , Alphonsus de Guimarães Filho, Péricles Eugênio da Silva Ramos e Ledo Ivo constituem alguns dos principais representantes da geração de 45. Em contraposição a essa produção literária "passadista" , três grandes escritores se sobressaem: João Guimarães Rosa e Clarice Lispector , na prosa, e João Cabral de Melo Neto , que chegou a pertencer à geração de 45 , na poesia. Além de praticarem a literatura como constante pesquisa de linguagem , como expressão artística caracterizada pela preocupação formal, estética, tais criadores têm em comum o senso do compromisso entre arte e realidade , o engajamento do escritor e de sua obra na vida social. Assim, retomam a perspectiva nacionalista da primeira fase do Modernismo- a geração de 22 - e também a perspectiva universalista da segunda fase - a geração de 30. Os três autores podem ser considerados uma síntese de ambas as gerações, já que ao experimentalismo da primeira acrescentam a maturidade artística da segunda , unindo , também , nacionalismo e universalismo. A sutileza do elo entre a fala e o texto transfigurador das narrativas mitopoéticas de Guimarães Rosa, diálogo com as fronteiras do indizível nos romances e contos introspectivos de Clarice Lispector e a precisão arquitetônica , substantiva , da poesia de João Cabral retomam e fecundam as experiências modernistas desenvolvidas no país. Simultaneamente , podemos ver esses autores como alicerces de nossa produção literária contemporânea, seja na vertente mais ligada à exploração dos limites da palavra poética , exemplificada pela poesia concretista das décadas de 1950 e 1960 , seja na busca de engajamento , de uma perspectiva política explícita para a obra literária , encontrada em poetas como Ferreira Gullar (particularmente na fase inicial de sua obra), Thiago de Mello e muitos outros. Também entre contistas e romancistas da atualidade - como Lígia Fagundes Telles , José Cândido de Carvalho , Fernando Sabino , Murilo Rubião, Dalton Trevisan , Rubem Fonseca , Carlos Heitor Cony, Autran Dourado, Dionélio Machado e João Ubaldo Ribeiro - verificamos ressonâncias dos escritores de 45, especialmente por meio de uma ficção intimista que se ocupa em escavar os conflitos do homem em sociedade, tendo como horizonte provocar uma contínua reflexão, em seus inúmeros , sobre a vida moderna. A esses novos criadores - não podemos deixar de lembrar - somam-se daqueles que os antecederam a que se tornaram vozes definitivas da literatura brasileira e universal. Manuel Bandeira , Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Graciliano Ramos constituem exemplo de menção imprescindível nesse rápido balanço de nossa produção literária moderna e contemporânea.
domingo, 27 de maio de 2018
A Situação Dos Negros
Os africanos eram trazidos principalmente da África Ocidental e a maioria pertencia a dois grupos étnicos : os sudaneses e os bantos. No Brasil, trabalharam na lavoura de cana-de-açúcar , de algodão , de café e na mineração. No período colonial, o Brasil foi o país que mais recebeu africanos. Calcula-se que mais de 3,5 milhões imigraram , à força , para realizar trabalho escravo. Foi, também , o último país ocidental a abolir a escravidão , o que ocorreu há pouco mais de um séculos , em 1888. Escravos libertos foram deixados à própria sorte numa época em que o Brasil estimulava a imigração. O grande número de negros que compunha a população preocupava a elite branca brasileira e a imigração foi a forma encontrada para "clarear" o país. Atualmente , o Brasil é o que abriga a maior população negra fora da África. Em 2000, de acordo com dados divulgados pelo IBGE , a população brasileira apresentava a seguinte composição : 53,8% era formada de brancos ; 39,1% de pardos ; 0,5% de amarelos e 0,4% de indígenas. Os negros representavam , portanto, mais de 10 milhões de habitantes. No Brasil, perdurou por muito tempo a ideia de que o país era o melhor exemplo de democracia racial de harmonia entre as raças . No entanto , os indicadores sociais demonstram o contrário . Os negros e os pardos ganham menos que os brancos e tem menor escolaridade. Além disso, a origem racial dificulta a colocação do indivíduo no mercado de trabalho. Negros e pardos são os grupos mais atingidos pelo desemprego; dos que conseguem trabalho, a maioria exerce atividades de baixa qualificação e prestígio social. Por essa razão, moram em lugares mais pobres e distantes do local de trabalho, não contam com serviços públicos básicos (saúde , educação , saneamento etc.) e dispõem de poucas opções de lazer. Segundo a Constituição Brasileira , racismo é considerado crime , mas a punição às atitudes racistas depende de testemunho de uma terceira pessoa e registro de ocorrência policial. Todavia, muitas vezes o racismo não é manifestado abertamente . É difícil , por exemplo, comprovar que um emprego foi negado a determinada pessoa por ela ser negra ou mestiça . Como provar? Ao negro e ao pardo é negado o princípio básico das sociedades democráticas , que é igualdade de oportunidades. Propostas conhecidas por ações afirmativas, as quais foram empregadas na África do Sul pós-apartheid e nos Estados Unidos, têm se mostrado eficientes no combate à discriminação racial e na melhoria das condições de vida da população negra. Dados recentes comprovam que , nos Estados Unidos, essas ações têm propiciado a ascensão social da população negra. No Brasil, as ações afirmativas estão sendo discutidas e algumas têm sido aplicadas lentamente , como , por exemplo, o estabelecimento de cotas para negros nas universidades, nos serviços públicos , no exercício de cargos de chefia . Essas visões visam também estimular as empresas particulares a terem maior número de negros em seu seu quadro de funcionários.
Os Movimentos Da Terra
A Terra não é um planeta imóvel . Dentre os vários movimentos executados pela Terra, dois nos interessam bastante : a Rotação E A Translação. Rotação: Representa o movimento que a Terra executa em torno de seu eixo imaginário. A duração terrestre é de 23 horas , 56 minutos e 4 segundos (dia sideral) ou, de forma aproximada , corresponde a 24 horas (dia solar). Este movimento ocorre de oeste para leste , a uma velocidade média de 1.609 km/h na altura do Equador diminuindo no sentido dos pólos Norte e Sul.
A) Os dias e as noites : metade da Terra está iluminada e a outra metade , às escuras ; ora, se o planeta não executasse o movimento de rotação teríamos um hemisfério sempre iluminado ( o que estivesse voltado para o Sol) e o outro , sempre às escuras.
b) O movimento aparente do Sol : o Sol, por exemplo, parece que gira ao redor da Terra ( o que se acreditava na Idade Média). Esta aparência é uma consequência do movimento de rotação da Terra. C) O desvio dos ventos e das correntes marítimas : os ventos planetários , bem como as correntes marítimas sofrem um desvio em consequência do movimento de rotação.
Translação: Representa o movimento da Terra em torno do Sol. Seguindo a órbita elíptica. O tempo de duração é de 365 dias e 6 horas (ano solar ou civil). A translação ocorre a uma velocidade média de 29,7 km/s ou 106.800 km/h, em uma trajetória denominada órbita ou elíptica. Como principais consequências do movimento de translação , podemos citar: diferente distribuição de luz e calor para os hemisférios norte e sul, por causa da inclinação do eixo terrestre. Ano bissexto , o qual ocorre de 4 em 4 anos, uma vez que a cada translação temos uma sobra de 6 horas. Portanto, em quatro anos consecutivos surgirá um dia a mais, tornando o ano com 366 dias (ano bissexto). As estações do ano - são , na verdade , consequência das diferentes posições que a Terra ocupa em torno do Sol, durante a sua órbita anual. Fato marcante para a determinação das estações do ano é a inclinação do eixo terrestre (23¤ 27 minutos e 30 segundos), pois tal ocorrência possibilita que os hemisférios norte e sul recebam, a depender da época do ano, maior ou menor quantidade de luz e calor. As épocas do ano nas quais os hemisférios norte e sul sejam desigualmente iluminados denominados solstícios (verão e inverno). Opostamente , aos períodos do ano em que os hemisférios norte e sul são igualmente iluminados chamaremos equinócios (primavera e outono). Os solstícios e equinócios possuem datas visíveis , uma vez que a translação não é realizada de maneira uniforme.
Diafragma de Fases De Uma Substância Pura
- Diagrama de Fases da Água
Em Ciência, quando se deseja compreender comportamentos ligados a dados numéricos experimentalmente determinados, o primeiro passo é determinar uma quantidade suficiente desses dados. O passo seguinte é analisar o conjunto de dados obtidos visando perceber as regularidades nele presentes. No caso das mudanças de estado físico envolvendo a substância água , cientistas realizaram muitos experimentos nos quais uma amostra dessa substância foi submetida a pressões e temperaturas conhecidas. Para cada par de valores pressão-temperatura escolhido, observou-se o estado físico da água : sólido , líquido ou gasoso. Cada par de valores pressão-temperatura foi anotado, assim como o estado físico da água nessas condições. Os resultados foram, a seguir , colocados em um gráfico de pressão versus temperatura . A partir desse grande conjunto de informações , foi possível elaborar o chamado diafragma de fases para a água . Nele , a temperatura qualquer da água tem um valor de pressão e um de temperatura. Esse par de valores pressão-temperatura determina um ponto no diafragma de fases da água. Se esse ponto estiver na área rósea, a água estará no estado sólido. Se o ponto estiver na área azul , a água estará líquida, e se estiver na área amarela , ela estará no estado gasoso. As áreas rósea e azul são separadas por uma linha. Qualquer ponto sobre essa linha indica um par pressão-temperatura em que a água pode existir no estado sólido e/ou líquido. Em outras palavras , essa linha indica os valores pressão-temperatura em que uma amostra de água pode sofrer transição de sólido para líquido (fusão) e de líquido para sólido (solidificação). Um ponto na linha de separação entre as regiões azul e amarela corresponde a um par pressão-temperatura no qual uma amostra de água pode estar no líquido e/ou gasoso. Pontos sobre essa linha correspondem , portanto , à transição de água líquida para vapor de água (vaporização) e à transição de vapor de água para água líquida (condensação). Analogamente, um ponto sobre a linha que separar as regiões rósea e amarela corresponde a um par de valores pressão-temperatura em que a água pode ser sólida e/ou vapor, ou seja, corresponde à transição entre esses dois estados físicos (sublimação).
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